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Velho Forasteiro

26 novembro 2008





Pode-se ouvir os gritos noturnos sobre o vale, a imensidão escura cobria todo o firmamento que parecia que se curvava sobre o velho forasteiro.
Em sua bagagem trazia consigo a melancolia e em seus braços a tristeza que sempre o acompanhara.
Pensamentos de morte ,terrores e assombros tomavam conta de sua mente que quase faltava sanidade para poder ir ao caminho que desejava,passando pelas arvores secas que jaziam em trevas, sombras o observavam tentando decifrar para onde o velho seguia...
Nesta noite mórbida e vazia vozes e sussurros vinham ao seu encontro, ameaças de morte, ”esperanças”* de suicídio vinham em sua mente quase apodrecida pelo rancor e ódio, pela angustia e o medo.
Seus olhos tristes e pesados, ombros curvados, parecia que era um cadáver ambulante no meio do vale a caminhar, suas vestes negras e surradas pelo tempo o fazia parecer mais velho ainda.
Seu caminhar era lento e pesado, parecia que seus sonhos estavam perdidos no seu passado assombroso. Depois de caminhar milhas e milhas avistou a colina de onde subia uma fumaça escura e tenebrosa,arrepiou-se ao ver a fumaça que subia como um espiral até o alto céu,fumaça a qual se confundia com as nuvens escuras que cobria o teto do planeta.
Apenas ele, o velho forasteiro, solitário, acompanhado apenas pela melancolia e a tristeza as quais não faziam questão de abandoná-lo de forma alguma.
Chegando ao topo da antiga colina, ele pode ver uma pequena igreja de madeira, que parecia ter mais de um século que fora construída.
Apressou-se até a velha e pequena igreja, abriu as portas com suas ultimas forças que lhe restavam...
Dobrou-se diante dela...
E ajoelhado foi até o altar, o velho derramou-se em lágrimas que parecia mais uma criança e clamando por clemência e compaixão gritou e seu clamor subiu até o trono de Deus.
“Se é que tu existe, socorra-me, pois desesperado estou, minha alma sofre os terrores das sombras e já não tenho mais forças, esse pode ser meu ultimo suspiro”-Disse o velho.
Um vento forte invadiu a pequena igreja e uma voz linda e suave falou-lhe:
“Filho amado estive contigo durante a passagem por esse vale de sombras e morte, vi tua fraqueza e sabia que viria aqui, clamou a mim e agora te respondo, te levarei em meu colo, dê-me a tua mão meu filho, te darei vestes novas e caminharei contigo pelo caminho que já preparei para ti”.
O velho forasteiro levantou, olhou para trás e sentiu-se novamente com vigor, caminhou até as portas da antiga igreja e avistou todo o imenso vale que havia atravessado, mas ele soube naquele momento que não caminhara solitário, pois lembrara de todas as palavras que saiam de seus lábios toda vez que orava dentro do negro vale. Mesmo duvidando da existência de Deus,ele sabia que sua caminhada não seria em vão,pois tinha esperança que esse mesmo Deus que ele duvidava existir poderia socorrer-lhe um dia,pois ouvia tantas pessoas falar d’Ele quando era jovem.
E mais uma vez o forasteiro prosseguiu em sua caminhada, não mais em um vale, mas em um caminho plano guiado pelas mãos do Deus dos céus.



* “esperanças de suicídio”:pessoas imaginam que quando nada vai bem consigo o suicídio é o melhor caminho,sendo que estão totalmente enganadas.


1 comentários:

Ana Paula Duarte disse...

* “esperanças de suicídio”:pessoas imaginam que quando nada vai bem consigo o suicídio é o melhor caminho,sendo que estão totalmente enganadas."

Pensam que essas são as pessoas mais frstradas e covardes, pois não souberam ao menos empreender e administrar sua prórpia vida...Bjos!
TEXTOS INTERESSANTÍSSIMOS!