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Gotas de Palavras

02 julho 2013

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Me dispersei ao cantarolar o respirar desta manhã
Sorridente caminhei no relento do meu ser
A luz amarela do meu sol enriqueceu o dia preparado pra mim
Meus delírios me chamaram pra brincar de roda
Solfejamos dissonantes enquanto via o céu refletido nas retinas da incoerência
Nuvens derramaram gotas de palavras
Que lavaram o meu interior
Consoantes dissiparam meu dia triste
E as vogais consertaram meu coração
O que estava em pedaços se tornou inteiro
E no meu improviso me mantive vivo
No bailar desta confusão eu dancei seguro em tua mão
Sucumbindo a cada passo teu todo meu sentido desvaneceu
Distraindo-me comigo vou contando os suspiros enquanto o planeta gira
E assim me derramo cantando teu canto nesta manhã florida


Um Poema Feito de Carol

27 junho 2013

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As páginas dos livros cantam letras em dó maior
E frases dançam compassadamente sem cansar
Fechado, o livro se parece maior.
Mas é mais profundo quando se deseja entrar
Para ver o encanto do mundo que não está ao redor
Embriagamos os sentidos, tantos os tidos quanto os que possamos ter.
Buscando abrigo, encontramos guarida sob este sol.
Que sonolento acorda para nos aquecer
E que do sonho que sonhamos possamos viver e só
Mesmo que um dia venhamos nos esquecer
Mas ao acordarmos poderemos tentar querer
Que o mundo seja e que nós sejamos o que devemos ser, mas não só
E agora veja em cada letra a poesia derretida, a poesia aquecida
A poesia feita de Carol



Ode de despedida.

03 junho 2013

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As sombras marcam seus rostos na parede
Pintam de negro as suas digitais
Desmancham a mancha feito musgo em pedra
Sangrando suavemente seus pulsos reais
Sublime contato em tom desafinado
Em seu desatino suspira no ar
Seu beijo tranquilo me tirou pedaço
E ainda o guardo pra não macular
Cabelos ondulam e atrapalham meu toque
Afasto do rosto, melhora a visão.
Dos olhos castanhos expostos e vivos
Suaves sorrisos dissipam e vão
Me perco em rimas e já não suporto
Procurar palavras para completar
Esse verso pobre, cansado e tardio
Que neste momento devo terminar

O Despejar De Choro Sobre Corpos Andantes

20 maio 2013

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Casas abandonadas com cheiro de luto e suor sussurram gradativamente cantando sua dor em vão, suas paredes deformadas cansadas com o peso do tempo se desfalecem a cada sopro de vento.
Lembro que passei por esta mesma rua enquanto sorria para a lua que me convidava para um abraço, hoje ando pela mesma rua e só vejo nuvens densas encharcadas de lamúrias que não me deixam ver a poeira cósmica, estão aguardando apenas o tempo certo de despejar seu choro sobre os corpos andantes.
Ah! Tristeza da melodia na voz do sujeito que trafega todos os dias debaixo deste céu sem cor se seu canto for tão doce quanto parece ser dobre este tempo em um novo dia.
Somos míopes querendo consertar nossos próprios óculos quebrados, sou míope que não deseja utilizar estes óculos nem outros que me sejam oferecidos, apenas quero ver a olhos nus o que se passa diante de mim.
Esse cenário tétrico de perda onde os atores derramam friamente suas palavras decoradas sobre a platéia sonolenta e muda só faz querer que este espetáculo se desfaça o mais rápido possível para que o vento frio não martele meu peito como já o faz e não decore meu coração com seu romantismo sombrio.
A areia da praia molhada pelo choro espumante do mar onde banho meus pés cansados me faz deixar a marca de meus passos a cada caminhar que segue adiante dessas casas com cheiro repugnante para chegar a outro lugar mesmo debaixo dessas nuvens cinzas que insistem em me acompanhar.



Uma Crônica Fragmentada

10 maio 2013

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As estrelas não caíram esta noite e a minha espera foi vã, me senti um pouco traído, mas foi bom ver o céu enegrecido outra vez com pontas de luzes a brilhar insinuando a minha insignificância.
Ao dormir me deparei com sonhos que me conduziam por lugares distantes, vi cores e tons entrelaçando com as dores dos homens ao verem sua identidade sendo usurpada nesta famigerada sociedade deturpada.
Enquanto componho essa crônica moderna fragmentada observo nesta era de sonhos frustrados a esperança de ver a esperança de ter a felicidade e alegria bailando juntas.
E suspiro de olhos fechados para poder tentar conter a minha falha observação nesse paradoxo que cansa meus hábitos.
A tela pintada por mãos que constrangem os olhos saboreiam a cada pincelar enquanto o vento uiva sua indignação nos quatro cantos do globo.
Mas uma chuva de satisfação me encontra quando dou meu primeiro passo e escuto tua voz suave que me leva do desencanto para a leve vontade de continuar a viver e quando nossos corpos entrarem em combustão sairemos desse sufoco para liberar calor e luz.
A cada manhã que se desprende da madrugada me faz perceber que não sou mais um em meio a tantos outros e que o que sou é exatamente o que deveria ser e é neste estágio mesmo que longínquo um dia habitarei sem depender de status ou reconhecimento o que importa é poder me enxergar nas tuas pupilas castanhas  e recitar a poesia que tu és.

Os Gritos do Silêncio

01 maio 2013

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Procurei diversas fontes de inspiração e trilhas sonoras para compor meus versos nesta noite vazia 
Mas nenhuma delas se encaixaram perfeitamente na engrenagem das minhas palavras e decidi escutar os gritos do silêncio
Revisei meus passos de maneira bem informal e vi o quanto caminhei até aqui, cambaleando firme e sapateando na cara da vida.
Meus poemas que não necessitam de opiniões e criticas se intercalam com a sonora passarada neste meu amanhecer.
Fazendo com que a melodia afinada se expresse do mais profundo de sua essência acalantando os olhos e sentidos de quem os observa
E assim me faz saber que  restam fôlegos e suspiros que ainda não saíram de dentro de mim e que meu ser é algo que devo ser.
Por falar em passos, quando observo o teu caminhar vejo em cada passo a fraqueza de Aquiles em teu calcanhar.
As sombras somem, desesperadamente o teu cantar explode dentro de mim me deixando mudo e sem reação.
Somente o que posso fazer é sentar-me quieto diante do caos harmonizante que sai dos tons dos teus lábios
E me aprofundo deixando a tua superfície para trás para que eu te conheça mais e me reconheça até.
Diversas vezes já tentei desconstruir meus delírios em formato literário, mas a inversão dos valores me obrigou a manter a loucura em dia
Para que eu possa entender de forma coerente o que se passa nas avenidas ensolaradas desta cidade bipolar.
Mas enquanto o encanto não está perdido, canto o meu canto, mesmo desafinado e assim caminhando calmo sigo em frente sem que eu deixe a pressa me impedir de observar o pôr do sol em um dia qualquer.

18 abril 2013

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Eu devo falar ? Devo me dar ao desfrute de... Eu devo estar louca!*
Eu devo ouvir?
Se ele chamar o meu nome, eu devo ir?
E se eu sangrar,
quem será o responsável por limpar toda a mancha? E se estiver chovendo, 
e se eu estiver pra baixo... Se eu nos afogar nesta chuva...
Acho que essa noite não estou sã
Acho que estou louca!
E se meu corpo se deleitar em dezenas de incertezas, será que há o lugar certo pra poder ir?
Mas se tudo isso for mero senso do ridículo onde me visto feito palhaço com medo de sorrir?
Será que importa qual andar devo descer e qual porta devo bater pra conseguir uma ajuda real?
Ou meu sonho se realiza de forma descabida se tornando desproporcional?
E quem sabe essa loucura que te toma nesta noite quente com resíduos de uma tarde ociosa te chame pra dançar uma valsa sem pestanejar, aceitarias tu ser conduzida pelo corredor com inúmeras placas mostrando a saída pra não sentir a dor?
Acho que esta na hora de confessar as ações de tua boca em minha mente... Devo dizer que essa dança acaba com a pressão de tua respiração ofegante sobre minha pele e começa quando você termina o mais perto que o possível de mim... O que ganho com isso?
Porque deveria dançar? Isso é quando eu cedo, é quando eu perco pra você
Não ouviu minhas confissões narradas nas entrelinhas de cada frase composta fora do tom?
Por mais mudas que fossem gritaram consoantes e vogais, silabas inteiras ao pé do teu ouvido.
Mas ao chegar perto de tua pele teus poros me impelem tirando-me o ar
E há em mim a coragem de chegar bem mais perto de onde eu queria estar, mesmo que eu perca a hora, mesmo correndo o risco de não mais respirar
E teu ceder que me faz enlouquecer, te faz se perder em mim, além de perder pra mim?
Batimentos acelerados, cores... Eu estou sendo tão corajosa. Porque mesmo com medo eu estou me perdendo pra você. De repente as coisas mudam de alguma forma, um passo mais perto... Eu estou indo pra você, por mim, pra existir o melhor de dois... Cada respiração, você na minha frente, e eu, o tempo todo caminhando pra isso... Ei, olha só, um passo a mais... Sou eu mais perto de você
Sem pressa no caminhar, apenas deixa teus pés flutuar sobre o chão, sim, vem sem medo que te mostro a direção
Tuas mãos tão perto de mim, que se encaixam tão feroz em meus dedos, deixando as articulações se movimentarem com intensidade.
Sinto o teu respirar, escuto teus batimentos, me pinto em tuas cores e depressa te arranco o medo.
Encaro o teu olhar que me tira a distração que o mundo pode impor esse sou eu perto de você, esse sou eu querendo te ter.
E por mais que eu queria não querer, é impossível tentar entender porque te chamo.
Teu nome, teus olhos, tua boca, tua voz vai me hipnotizando a cada passo que eu e você nos tornamos nós.
É meu desejo todo dia te ter, é o que preciso pra continuar a viver, mesmo com delírios que procuram oportunidades pra me importunar, é em teus lábios que minha boca vai descansar.
Fecha os teus olhos,
escuta minha voz, ela é o meu disfarce, eu já estou aqui,
eu estou ao seu lado...
É, meu amor, o mundo não tornará a ser o mesmo, e, amor, é só tu o responsável

*Escrito juntamente com Lêh Sanctus

Enquadro em Delírios!*

13 abril 2013

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Noite rara que arrebata minha alma e me traz a calma
E essa calma amanhece a minha alma,
Noite rara que arrebata minha alma e me traz a calma
E essa calma amanhece a minha alma,meus motivos se alojam sob meu cobertor que me aquece, me abriga e obriga a fugir de toda dor, de toda lembrança, daquele nosso quase amor,
Um "quase" que poderia ser completo se não houvessem as variáveis de outros versos
Que de tao inversos deu numa inteira metade, numa quase verdade, num amor..
Que pode ser estendido por toda eternidade, sem meias verdades ultrapassando a capacidade de amar
Que não passa de uma imensa vontade de condicionar felicidade, um a terceira perna que que ta uma errada estabilidade, essas aspas gigantes que se poe antes e depois de si..
Deixar esta sensibilidade que te quer em minha realidade saborear todos aqueles ares que ainda estão por vir
Vai descobrir que existir pra outro é desistir de si, e saboreando o gosto vai perceber que o quanto é amargo pra ti, e só pra ti
E do amargo renascer o que é de fato na inconstância daqueles passos ensopados pela chuva derradeira, sem lugar pra se abrigar ou se esconder muito menos uma lareira pra aquecer.
É quando eu vou anoitecer,É quando penso em te ter.
Mas eu logo volto a mim, e ai percebo que a chuva passou, que eu já posso ir..
Que já devo ir
Sem olhar pra trás, até não querer mais, deixando apenas os resquícios do brilho do teu riso, mas ainda com o desejo de experimentar teu beijo.
Eu revogando tudo isso, pergunto, digo: que brilho? O meu sorriso amarelo já tão gasto, tão perdido, tu vai embora, levando o meu mais bonito, aquele que usava, que tu me deu,
Eu sei que ainda não foi dito que o brilho guardei aqui comigo e ele não foi esquecido,apenas mantido seguro para que sem pressa possa te devolver quando você amanhecer.
Nesta pausa dramática em que te encontro tão ávida interrompendo minhas vogais enquanto falo de amor.
Sinônimo de dor, porque todo amor é assim, dói demais e chega ao fim.

Em Parceria com Lêh Sanctus*

Alma Em Luto*

31 março 2013

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Na penumbra de uma noite escura, escrevo meus poemas.
Iluminado apenas, por uma nesga luz das bruxuleantes velas.
Chamas que dançam na cadência de uma triste melodia, inaudível para mim, mas que sinto verberar em meu vazio interior.
As perolas de dor caem pesadamente sobre o papel.
Meu eterno amor foi arrebatada nas asas negras do Anjo da Morte,
Sua beleza decompõe-se na escuridão úmida de um túmulo.
Mergulho no mar de minhas memórias e reencontro minha amada...
Lembro-me de seu olhar... Olhos verdes como a superfície de um lago profundo onde guarda segredos submersos.
Cabelos negros como as penas do corvo...
Tez branca como a neve onde exalava o cheiro de campos floridos.
Lembro-me de sua divina nudez iluminada pela chamas da lareira que vinham beijar seu lascivo corpo.
A maciez e o gosto de seus lábios ao tocar aos meus...
Recordo-me de seus últimos momento, quando segurei em meus
braços, e vi em seu olhar o desespero e a dor... E de suas últimas sussurrantes palavras:
“Meu amor... Não te afliges... Estarei despertando do sono, mas estarei te esperando pelo teu despertar.”
Seu olhar ficou sereno como se o peso da existência tinha abandonado seu débil corpo... Seus olhos perderam o brilho. Um fio escarlate escorreu de seus lábios...E a morte tomou em suas mãos.
Submergi de minhas lembranças com o grito que ecoou na fria escuridão.
Corri deseeperadamente pela floresta escura,
a gélida chuva fustigava-me, e escorria pelo meu rosto misturando-se as lágrimas.
Deparei-me diante da ecura lápide do túmulo de minha amada onde estava escupida seu nome em dura e fria caligrafia: Aredhel.
Ao lado da lápide minha espada fincada no barro, enferrujava através do tempo, o luto arrancou-me a vontade de lutar.
Prostei-me pelo peso da dor e sussurrei na escuridão...:
"A morte não é ponto final, e sim, uma reticências de uma eternidade...um dia te reecontrarei face-a-face. "
E a noite continuou escura, fria e chuvosa...


*Poema de Aslam Sanctus

A Síntese Da Tese

28 março 2013

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A noite escureceu o dia que limpo estava sem cinzas de nuvens espalhadas pelo infinito firmamento.
Fui em busca de intensas sensações e me deparei com um muro de imensas cascatas pintadas em tons esverdeados onde a água caia tão feliz a ponto de se lançar do alto e embriagar-se em si mesma.
Decidi parar de parar, continuar o continuar e desinteressar do que me não me interessa mais e enquanto componho canções que jamais serão tocadas, vou aplicando meu coração naquilo que me torna mais eu do que qualquer outra coisa que me toma de mim.
Gostaria de ser a síntese de tua tese e te provocar crises argumentativas e quando te faltar palavras, apenas ouvir o chamado dos teus olhos nos quais me reflito em abundante beleza.
Vi que a intensidade de meus pensamentos que estão surgindo rapidamente que dá impressão que ultrapassam a velocidade da luz me causa danos e assim dificulta meu sono e só me resta escutar uma música lenta e dedilhar meus sentimentos em linhas perpendiculares.
Depois daquele surto ilusório que me ocorreu uma noite anterior  percebi que a vida é bem mais do que eu posso imaginar e me pergunto, onde está o esplendor em uma alma arruinada?
Vou cantarolando essas palavras inanimadas enquanto o dia não se vira e sorri pra mim e quando o primeiro raio de sol cruzar a atmosfera me lembrarei da leveza que tu me faz querer sentir e seguir esta dança que causa um cataclismo em meus sentidos e assim me sinto bem.
Atrás daqueles holofotes me escondo para que a multidão de olhares não se prenda em meu desencanto para caminhar no sossego enquanto olho para o infinito firmamento sem cinzas de nuvens observando o dia que a noite escureceu aguardando firmemente um beijo da boca de Deus.

Corações De Éter

24 fevereiro 2013

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As páginas passam lentamente no compasso da música que penetra meus ouvidos nesta noite cheia de calmaria e percebo que o tempo não passa há mais de uma semana.
Vi pessoas perdidas no desespero de seus desejos com seus corações de éter que esvanecem com a fumaça soprada depois de cada trago dado.
Somo os valores desperdiçados nos córregos destas ruas enlameadas e vejo o déficit de felicidade entrando em choque com os suspiros que cortam o ar poluído de tristeza.
E aquelas batidas que fazem o sangue percorrer o corpo faz entender que a vida tem um sentido e enquanto a paz de Deus silencia meu caos eu sigo feliz, se a quantidade de ruídos tenta estourar nossos tímpanos, na qualidade do silêncio encontramos suavidade.
Somente ouso em afirmar que não consigo normalizar a inversão das boas condutas muito menos aceitar a propagação de sentimentos sem sentidos, o que posso fazer apenas é realçar o brilho do sol que reflete nos teus olhos calmos e sonolentos que me fazem crer que o amanhã não tardará em chegar todas as manhãs.
Determinado, detenho as horas que não passam há mais de uma semana para ter mais tempo de poder me encontrar por entre essas frações de segundos e assim Te conhecer cada dia mais enquanto há tempo.  

Reflexo Colado Na Umidade

11 fevereiro 2013

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O sol me deu bom dia, retribuí com um sorriso bobo e continuei andando.
Vi uns trocadilhos espalhados pelo chão, chutei alguns pra longe e fui montando o quebra cabeça para matar o tempo e continuei andando...
Saboreando o vento ouço tua voz que trás a paz para meu caos enquanto vivo uma anarquia interior e continuei andando...
Parei na beira do lago de água azulada e vi o resplendor da beleza entalhada em teu rosto e com braços molhados e sem pudor abracei teu reflexo colado na umidade e continuei andando...
Assim fechei meus olhos cambaleando nos sentidos em que a vida me propõe e sigo na ventura da esperança propositalmente tatuando teu nome em meu coração.
O tempo corre tão rápido quanto o sangue que percorre minhas veias, tento parar o relógio, mas os ponteiros são mais rápidos que eu e continuei andando...
Em um momento de reflexão percebi que as coisas simples se tornam as melhores no fim das contas e não entendo como as pessoas imaginam que os valores das coisas equivalem ao seu preço.
Depois de passar pela alameda que cortava a cidade vi tua sombra que me guiava e dançava e sorria um sorriso tão despretensioso e continuei andando...
Quando alcancei a lua e a noite abraçou o céu tua silhueta inconfundível gritou meus olhos e fui ao teu encontro, no afago de um abraço abafado suspenso no ar que te fez rodopiar pude entender que agora já posso descansar.

Sentimentos Embalados A Vácuo

30 janeiro 2013

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A lua me olha com suas crateras disformes e tímido caminho pela noite serena debaixo do radar rascunhando trovas, cantarolando entre as covas tortas e mortas.
Tento fechar esta página que insiste em aparecer diante dos meus olhos e assim sigo adiante construindo meu castelo com pedaços de lego.
Soa tão estranho quando as vozes que ouvíamos parecem falar em um dialeto totalmente diferente, as palavras se tornam uma epigrama e nossos ouvidos já não suportam mais.
E eu lembro do som do teu sorriso que satisfaz meus lábios e canta notas arriscadas desalinhando minha gramática, estereotipando confusões, programando convulsões em meus sentidos.
Pacotes de cores são abertos e o céu muda o tom a cada vez que meus olhos piscam enquanto te vejo dançar com leveza sobre teus pequenos pés.
E pra não esquecer, guardei meus sentimentos embalados a vácuo para não perderem a validade e quando te encontrar entregá-los intactos.
Então te solfejo neste ritmo equalizado pelas batidas do meu coração sucumbindo toda a alegoria que atravessa com felicidade quando tuas mãos se entrelaçam violentamente com meus dedos.
Tua insuportável gratidão faz com que eu perca o juízo e aquela semente de solidão que brotava naquele chão se foi com o vento depois que eu desliguei o telefone e ao mesmo tempo minhas palavras eclodiram contra a parede.
Vou te descansar em mim depois desta semana turbulenta enquanto as horas passam deitadas neste circulo e vou abraçar o teu abraço calmo e tardio e rabiscar em teus lábios a minha mais franca poesia.

Os Caçadores De Ouro De Tolo

13 janeiro 2013

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Resolvi não entrar mais em crise e deixar minhas fobias de lado e na intensidade das minhas loucuras decidi abraçar a felicidade depois de encontrar as águas que beijaram as solas dos meus pés com um beijo úmido e saliente me fazendo ficar com os pés vermelhos de tanta vergonha, mas satisfeito.
Como tantos outros me rematriculei na escola da vida e com isso não vou me interessar com as manchetes dos jornais, muito menos com ilusões de amores retardatários.
Vou tatuar a alegria em meu coração e torturar os papeis com minha caligrafia insuportável para que um dia se torne relíquia entre os caçadores de ouro de tolo
Vou construir minha nova casa com um novo alicerce, munido de pilares para que nenhum outro teto desabe sobre minha cabeça dura.
Só desejo que outros acordes te consolem em uma manhã fria e que alguém esquente o café pra te aquecer os lábios e relembrar dos nossos beijos que não foram dados.
Entendi que o silêncio é um dos melhores amigos que nos entende e nos deixa entender para que possamos tentar uma nova trilha quando os atalhos estão bloqueados.
Agora o sol aquece meus olhos e gosto deste calor mesmo que sua intensa luz resseque minhas retinas e embace minha pouca visão.
Eu posso afirmar piamente que amo minha vida e tudo que faço e há um sentido firme e profundo incrustado nestas pequenas letras pré-moldadas.
Vejo que aqueles passos que evitei e todas as mãos que não segurei me fez refletir até este ponto que cheguei, vejo que falhei e me arrependi, mas afinal estou em uma eterna desconstrução e estou orgulhoso de mim, não pelas falhas, mas pelo arrependimento.
Basta olhar para as estrelas que brilham constantemente no infinito do universo que somos um pequeno fragmento da beleza que nos cerca por inteiro e isso é bastante pra ter um bom motivo pra viver.

27 Invernos

03 janeiro 2013

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ATO I

Não havia quase nenhuma respiração, o ar cortante atravessava seus pulmões
Seu coração inundado em desencanto, as vozes apenas lamuriavam um cântico fúnebre
Sua juventude encapsulada em uma densa tristeza, fria, calma, absurdamente branda.
Não se sentia bem ali, não se cabia bem ali e muito menos desejava estar ali.
A única saída foi desenhar sua própria sentença a qual prometera a si mesmo um dia.
Seus pulsos clamavam para serem perfurados, rasgados e sentidos.
Desiludido do que ele próprio denominava vida, seus olhos quebrados sentiam a dor.
Uma dor da qual não sabia a procedência, apenas a abraçava como se fosse sua melhor amiga e em muitas ocasiões ela se tornava tal.
Alguns anos se passaram e os pulsos cantavam como num coral desejando que seus poros fossem dilacerados de alguma forma, ele respondeu ao canto e assim tentou fazer com que aquilo parasse de uma só vez.
Cartas de baralhos espalhadas pelo tapete azulado, na TV vozes aleatórias falavam nada
“O corte será profundo” pensou, mas será de uma só vez, ao tentar introduzir o material cortante em sua pele, soluços cantarolavam uma canção mais triste ainda e as lágrimas desciam como uma cascata a jorrar livremente. Desistência.
O tempo caia como neve em um inverno não desejado e fincado em seu interior,a estação passou, mas dentro de si o inverno era constante e assim como os ventos que atravessava seus pulmões...Cortante.



ATO II

                                                                                           
Uma branda voz acalentou seu peito em uma manhã morna com nuvens no céu
O sol brilhava de forma tão surreal, mas o cheiro da chuva ainda podia ser sentido
Ele se levantou de uma queda a qual não esquecera em nenhum momento.
Havia cicatrizes ainda, não físicas, mas cicatrizes na alma
Foram longos invernos que vivera, foram ciclos de estações que pareciam infinitos
Mas o inverno sempre era o que mais demorava com sua presença devastadora
A voz soprava em seus ouvidos palavras que não ouvia há tempos, ou não se lembrava de ouvi-las algum dia.
Isso lhe fez bem.
O dono da voz que surpreendia seus tímpanos com clareza o chamou para acompanhá-lo em uma jornada, mas ele não desejava sair do seu recôndito, não desejava mostrar sua fragilidade à luz do sol e assim não o fez. Recaída.
Mais duas vezes seus pulsos desejosos lhe chamavam a atenção, duas frustrantes tentativas e assim o fez cansar de tentar.
Novamente a voz sussurrou pelo seu nome e de súbito o medo tomou conta, pois já tinha esquecido aquela voz que outrora o chamara.
Suas lembranças foram se formando e assim lembrou-se de um tempo que se passou, quando ouviu pela primeira vez aquela voz.
Mais um convite. Um olhar. Uma decisão.
Seus olhos úmidos, desta vez por sentir a ternura de quem fora ao seu encontro quando não havia saída em nenhum lugar.
Segurou na mão do dono daquela voz,seguiu seus passos e hoje caminham juntos e nenhum inverno desde aquele momento, mesmo o mais intenso pôde congelar seu coração.Uma chama arde e não se apaga, ali faz morada.E um sorriso brota em seu semblante

                                        




                                                                               

Reflexão Absurda De Paradigmas Destruídos

31 dezembro 2012

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O preto e o branco se confundiram em uma metamorfose que foi difícil entender que há um novo começo nestas cores.
Sobre meus ombros tirei o peso do mundo e sem cansar caminhei até o alto da colina pra me encontrar novamente.
Tive a sensação de que me atrasei mais uma vez, infelizmente não foi apenas uma sensação, houve atraso de minha parte e novamente arrependido me escondo atrás de um sorriso sem graça.
De volta, passei por uns caminhos que me trouxeram boas lembranças as quais estavam guardadas pra um momento especial e assim joguei todas as minhas cartas na mesa, sentei no banco pintado de azul e observei o nascer do sol que iluminou a minha cidade que foi construída com o suor de minhas letras e frases combinadas com a cor das nuvens que dançam, que formam formas sem precedentes no meu céu anil.
Nesta minha reflexão absurda de paradigmas destruídos pelos ventos do meu sopro leve, percebi o quanto nós somos frágeis e nos apegamos facilmente na pedra mais próxima para não cairmos no abismo e quando já estamos a salvos não agradecemos o apoio proposto, apenas seguimos adiante e não olhamos pra trás. E quem nos julgou tão bons ouvintes com abraços confortantes se afastou sem um aviso prévio e sou daqueles que não corre atrás dos passos que se foram. Nunca desejei, mas todos são livres para ir embora.
E nesta reflexão abusiva cheia de mim e outrem, cheia de curvas soltas e paradoxos flutuantes, um pensamento distante me encara e com o susto fico imóvel e ele fala pra mim o que há muito eu já sabia, porém por estar muito ocupado não entendia sua mensagem que dizia:
“Incrível que algumas de nossas declarações mais calorosas que foram esculpidas em pedra são cobertas pela poeira do tempo. Assim como tudo que é sólido pode ser desmanchado no ar, os sentimentos gasosos podem ser exalados e perdem a sua essência e consequentemente são esquecidos dentro do baú de carne.”
E com esta formação de idéias me perco em mim pra aprender a soltar e deixar partir, não mais me apegar em momentos de distração onde sou apenas uma fuga de uma  consequente solidão

Desnudo Em Versos

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Te negarei um abraço, um pedaço de passos descalços em cacos
Não perpetuarei os meus erros, enganos vindouros em vãos desesperos
Se a vida é contida em pequenas garrafas pra serem vendidas
Me desloco em segundos sem rimas idiotas deixando teu mundo
Sem perceber me deparo com paredes de blocos com os olhos fechados
Devolverei teus prazeres caminhando solto sem voz ou meio rouco
Nem precisa pedir entendo agora, meu lugar não é aqui.
Desnudo em versos cantados exalados se esvai os complexos
Puro, o soco vem em direção da mão o rosto, do rosto a mão
Controversos os sentidos desgastam os sentimentos um dia providos
As linhas curvam o horizonte de cinza caminha um outro sem nome
Solicito um remédio que cure a alma que apague esse tédio
Que me consome por dentro soluços amargos palavras ao vento.
Desvendarei tais palavras que abraçam os braços e quebram a calma
Suprindo os cantos sujos semeando rosas em campos de mudos
Não medirei meu cantar em breve irei, desejo ficar.            
Nem requisito pedidos o tolo se esconde sem haver perigo
Números escalam esta régua infame se vai é cego, não enxerga
Essa tragédia absurda presa em meu calcanhar atravessa a rua
As luzes em noite serena se apagam de vez, sublime, que pena!
Enquanto procuro conselhos os dedos cansados se dobram os joelhos
Os pontos apontam o ponto despontam o tonto cambaleiam juntos
Corrói o sapato usado em seu deserto sofre cansado, coitado
Cadáveres roxos contorcem-se em pleno escuro do vazio
Serpenteiam tortos como alguns peixes no curso do rio
Entenda que o meu sorriso obliquo se desfaz agora
E meu silencio se estende até o findar desta hora
Que teimosamente me atormenta com sua demora.

Sonhos Borrados

30 dezembro 2012

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Toquei meu rosto queimado pelo calor do sol intenso e lembrei os caminhos que percorri até chegar aqui neste degrau.
Só não sei quanto tempo leva pra eu...
Desenhei pedaços de sonhos em uma folha branca, mas depois passei a borracha e a folha ficou manchada com os sonhos borrados.
Eu tenho um dom de não criar expectativas para não atropelar meus pés e nem despedaçar meus dedos e nem desperdiçar meu tempo com que(m) não me é útil
Despejando os artigos sobre uma bandeja dourada e não irei entregar meus pontos compostos pelos meus pequenos delírios diante desta falta de atenção
Só não sei quanto tempo leva pra...
E com todos os meus raios de sinceridade não sei exatamente o que será de mim de hoje em diante, apenas há uma viagem para orbitar novamente naquela galáxia distante onde passei um curto período e logo será minha morada absoluta
Só não sei quanto tempo leva...
Me despojei de carências alheias e sentei num banco para ler as ultimas notas dos jornais e vi mortos e vivos dançando sobre o gelo quase derretido.
Só não sei quanto tempo...
Talvez eu tenha feito meu papel e meus serviços não serão mais necessários e saio de cena sem que a platéia perceba minha falta, ninguém jamais percebeu.
Então percorrerei descalço subindo e seguindo o rumo de tudo no combate entre os nossos ossos.
Só não sei quanto...
Não necessito que entendam minhas metáforas apenas desejo que os olhos e ouvidos entendam a essência da mensagem a ser desferida nos rostos como uma flecha lançada do alto de uma colina a qual corta o céu sem ter vergonha e acerta em cheio o peito e assim se pinta de vermelho escarlate.
Só não sei...
Permita-me informar que neste silencio voluntário de palavras cantarei meus pesares em acordes menores e sem intenção de tornar obsoletas as variáveis que circundam toda esta gama de frases inabaláveis que bóiam neste nível raso e dizem por ai que é bem melhor que perecer.
E neste estágio continuo de desconstrução que me absorve totalmente para uma nova realidade desligo a luz fecho meus olhos e tento sublinhar minha mente para tentar sonhar com aqueles sonhos borrados.
Só.      




Somos Feitos De Outono

24 dezembro 2012

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Somos feitos de outono.
Somos folhas que se desprendem de suas árvores e bailam pelo ar numa dança infinita e intima.
Sopradas pelo vento balançando e aproveitando os segundos do momento.
Descompassados, flutuamos sobre a melodia rimada naqueles sons nostálgicos.
Sussurrando cada nota transpassada em teus ouvidos e sentir teu respirar desconcertante.
Poderia escrever mil livros sobre teu sorriso
Sorriso lindo que atrai meus lábios que se apressam desesperadamente ao seu encontro.
Feche os olhos e sinta todas estas palavras se encaixarem em teu coração.
Nesta manhã morna cantarei teus sonhos para que meus sentidos despertem com o amanhecer.
Apenas toque as pontas dos meus dedos e com firmeza segure em minha mão para que o mundo não atrapalhe nossos passos e nem seus abalos nos façam perder o equilíbrio nesta rua enflorecida.

Somos feitos de nós que se completa em cada articulação e nossos sonhos se propagam ao pôr do sol.
E em cada estação seremos apenas nós, sem outras definições ou conceitos tolos que não servem de nada.
Irei te conduzir nestes passos cheios de leveza com a certeza de que o céu não será o teu limite. apenas será uma escada para que alcance a felicidade em sua perfeita forma.
Desenharei teu rosto em uma folha que se desprende de sua árvore e baila pelo ar numa dança infinita e intima apenas pra te lembrar que somos feitos de outono.

(In)*

17 dezembro 2012

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Soou o clarim e ninguém acordou quando o galo cantou pela terceira vez, apenas ouvi os passos pela sala vazia.
Revirei-me entre meus lençóis e nada ainda entendi sobre os lances de luzes jorrados pelo meu telhado
Sequei meus pensamentos e de uma coisa estou bem certo, não desejo ser apenas um numero para compor uma estatística qualquer que não me traz definição alguma
E posso afirmar que um pouco de boa revolta não faz mal a ninguém.
Cansei meus passos e escrevi no mural da desesperança que havia no saguão pintado de azul-esverdeado.
Coloquei minhas frases com minha ortografia desafinada naquelas linhas tortas e encontrei um caminho que me mostra uma porta entreaberta onde estou tentado a seguir.
Seguir para que um novo horizonte se encaixe perfeitamente em meu pôr do sol,apenas sei que não desejo sentir falta de nada e ninguém,apesar de sentir falta e esta falta de falta me falta tanto.
Nada ainda me prende (mas gostaria que prendesse) aqui por entre estas ruas escuras, mas acho melhor apressar meus passos para que eu venha descansar em breve, mas não há aqui um desespero itinerante, apenas duas coisas que desejo e a balança pende mais para que eu possa pôr meu mundo na mala e seguir em frente.
(In) felizmente meus tons serão reduzidos aqui para que meus acordes possam ser ouvidos em outro lugar



*Imagem por Carolli Márol

Na Moldura da Janela

12 dezembro 2012

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Parecia algo superficial, mas os cortes eram profundos do que se podiam ver, seus traços serpenteavam os braços cansados e sobrecarregados de culpas que exalavam pelo seu pequeno paraíso perdido.
Fui ao seu encontro e me senti perdido, afinal, quem não se chocaria ao ver tal cena?
Naquele momento acalmei meu coração que batia tão feroz a ponto de sentir dores no peito... Caminhei.
Nesta rota que fiz, percebi que estou vivendo uma contagem regressiva e quando dei por mim me assustei e tive uma leve sensação de desencanto e ao mesmo tempo de sossego, realmente a vida me tem aprontado algumas surpresas ao longo do meu caminho.
Meus devaneios soltos que comentei com alguns ouvidos que estavam à disposição de minha fala desletrada, sei que ainda há uma decisão a tomar durante este tempo que me persegue no sentido contrário dos meus passos.
Quando sentei ao seu lado decorei seus ombros com meu braço direito e disse que tudo ficaria bem e que aqueles cortes se tornariam cicatrizes e estas ao serem vistas serviriam pra lhe mostrar quem realmente era. Ela simplesmente sorriu um sorriso brando, mas feliz que viu segurança em se expor de forma tão espontânea e serena e eu apenas olhei em seus olhos e esqueci do meu curto tempo que corria constantemente contra mim e lhe disse: Que seja escrito o réquiem das minhas letras, que seja feito o funeral das minhas frases, que seja cantada a nênia das minhas palavras se o amanhã não aparecer,mesmo que em tons cinzentos na moldura da janela do teu quarto.Mais um sorriso e  um abraço apertado.

O Paradoxo Fissurado

05 dezembro 2012

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As névoas corroem o céu reluzente cortando o horizonte eclipsando o brilho dos olhos em tons aurora.
Soando como um sopro solitário estilhaçando os tímpanos refletindo os mesmos reflexos reduzindo ao pó aquela esperança não dita.
Obscurecendo pensamentos, criptografando os códigos exposto em binário conforme toda a redundância de uma frase não posta na fôrma cinzenta.
Indisposto o tom desanda corroendo as notas transpassando as pinturas desfigurando rostos.
Cambaleando a nuvem cai de certa forma que o vento nos toma de ponta cabeça e o sangue desce pelos olhos.
Risonho chora choroso ri descontrolado corre na avenida vazia.
Atropelado pelos carros nervosos que cortam o chão enegrecido por pegadas não tão vistas e apagadas pelo tempo que ainda não passou.
O paradoxo fissurado de uma sociedade vã, criticando as cores, implicando sons.
Rimas não rimadas consertam os textos e o desapego apega e só ele sustenta o seu pilar sobre todos os cantos de uma sala oval
Efêmero contraste em preto e branco indisponível além dos ombros.
Com o pessimismo ali na frente, o bobo segue tão descontente com seu bigode desfragmentado, sua mente insana e sábia anda sobre seus saltos.

Letras Palace Hotel

22 outubro 2012

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Foi necessário que houvesse colisões entre nossos olhos para que pudéssemos ver o mundo de perto. E o que você vê agora?
Andando sobre a areia que grudava em meus pés descalços fiquei observando os rasantes das gaivotas perto daquela praia que não estamos vendo agora.
Um cheiro de sociedade me veio ao encontro e me despertou questões não respondidas e assim continuei andando sobre a areia que grudava em meus pés descalços.
Ao virar meus pensamentos para esta rota torta não me identifiquei com estes mecanismos postos como obrigação sobre os ombros dos homens e estes se curvavam diante do entretenimento que absorvia sua intelectualidade quase gasta.
Fui dirigindo meu corpo para perto dos holofotes apagados onde a distração era o ator principal da maçante e cosmopolita representação que esse ar repleto de ilusões  dificulta a nossa respiração.E nos cega com a neblina de incoerências,esta não se dissipa facilmente.
Parei e analisei todas estas circunstancia absorto fui remoendo todas as imagens e percebi que uma mente não bem alimentada é igual a uma construção não cuidada. Acaba em ruínas.
Daí então tive uma ideia, construí um edifício de livros, mas ninguém quis alugar uma página para morar,os ignorantes vieram e o explodiu e letras voaram para todos os lados.Quem respirou a fumaça se sentiu liberto,e os ignorantes continuaram sendo o que eram.