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Os Pontos das Cicatrizes

09 outubro 2014



Respiro para tentar me sentir um pouco mais vivo anexando as frases numéricas que oscilam neste ar.
Meus olhos marejados sem escamas sob a cor da lua vermelha refletem as chances de sair daqui. Pelo menos por alguns instantes. Não há quem ligue os pontos das cicatrizes que deixei quando pisei na esperança que estava deitada no chão do banheiro. Somos sobreviventes seres viventes.
Te vi curando o silêncio enquanto despedaçava a eternidade com teus olhos, foi assim que percebi que sem ti não há sentido, sem ti dor há.
Certo dia meus heróis morreram numa batalha de egos que foi travada entre si, pedaços destes egos foram plastificados e estão sendo vendidos em qualquer esquina dentro de uma embalagem mal feita.
Enquanto escrevo bocejos sem inspiração assim me lembro das frases que ecoavam de tua boca, só desejo que eu e você sejamos nós, nós fortes que durem até o fim deste tempo sem tempo.
Quando eu cair no sono e sonhar contigo em forma de desenhos perpendiculares espero que nossos lábios se toquem como a melodia se derrama nos ouvidos da plateia como uma torrente impetuosa. A Calma vem tão calma e macia rasgando minha impaciência de alto a baixo, deixo a ampulheta vazia para quem deseja perder seu tempo com futilidades. Recordo.
Dizem por aí que às vezes é melhor levar um tiro na cabeça pra poder acordar de algumas situações. Fui alvejado, ao ler tua voz inocente cheia de segurança como alguém que tivesse vivido meu sono.
Pianos dedilhados derretem-se na avenida fazendo com que os pés escorregassem nas notas tônicas, mas os tons mudavam conforme o sentimento dos transeuntes, alguns dançaram com sua sombra na parede, sorridentes e felizes, outros desandaram em demasia em sua valsa torta.

Findo o dia sabendo que o dia ainda não findou-se, sem palavras ensaiadas nesta manhã sonolenta sigo firme acreditando que o pior chegou, mas que o perfeito encontra-se aqui desde antes da existência da existência e é neste acorde que me seguro, é este acorde que me acorda, é esta canção que ouvi na casa de onde vim que desejo escutar mais uma vez.

1 comentários:

Maria Valéria disse...

lindo texto. :D
e dolorido tbm...